Minha pequena Isabel


Eu a conheci na escola, estudávamos juntos. Eu era magrelo e alto, ela baixinha, cabelos cacheados e um sorriso de anjo. Era primário ainda, existia aquele ódio mortal entre meninos e meninas, eu era o único diferente, morria de amores pela Isabel, nunca nenhum amigo meu do primário soube disso, senão eu seria motivo pra chacota.
O tempo passou fizemos 12, 13, 14, 15 anos. Eu já não era tão magrelo, ouvia até as meninas dizerem que eu era bonitinho. Minha Isabel já não era tão baixinha, mas continuava com seus cachinhos dourados e seu sorriso iluminador.
Nessa idade eu já podia ser amigo dela, não havia mais aquele ódio de meninos e meninas. Minha Isabel era sempre simpática, conversava com todos. Aproximei-me dela e comecei ali uma amizade. O tempo foi passando e nos tornamos melhores amigos, era sempre a que ela procurava quando estava triste, eu sempre fazia carinho no cabelo dela enquanto ela chorava e isso sempre a fazia sorrir, aquele sorriso..
Eu era dependente dela e aos poucos ela também se tornou dependente de mim. Foi inevitável, nos apaixonamos, bem.. ela se apaixonou. Eu já era apaixonado por ela desde sempre. Cada vez mais fui me tornando depende dela, do sorriso dela, do cheiro dela..
O tempo foi passando e eu via que minha Isabel estava ficando diferente, se sentia mal muitas vezes, passou a comer menos, a sorrir menos.. Seus pais ficaram muito preocupados, eu mais ainda, o que acontecia com a minha Isabel? Ninguém me dizia o que ela tinha. Eu a via cada vez menos e sentia saudades cada vez mais.
Já fazia mais de uma semana que eu não a via, fiquei sabendo que ela estava no hospital, fui correndo pra lá. Pergunte por ela na portaria, ninguém queria me dizer onde ela estava, ouvi as enfermeiras cochicharem que ela não queria que eu a visse, mas por quê? Insisti tanto, mas tanto que as enfermeiras me disseram onde ela estava. Parei na porta do quarto respirei fundo e entrei foi quando ela se escondeu debaixo do lençol, não entendi muito bem o porque ela fez isso. Me aproximei e chamei-a pelo nome, aos poucos ela saiu de debaixo do lençol, entendi.. ela se escondeu porque estava sem cabelo e não queria que eu a visse daquele jeito, ela me disse que estava se sentindo feia. E eu disse que não a amava somente fisicamente e sim espiritualmente, pois não amamos um corpo e sim uma alma. Ela sorriu, aquele sorriso que eu sentia tanta falta.. aquele sorriso, minha Isabel.
Minha Isabel tinha câncer, infelizmente em um estágio já avançado. Eu passei ao lado dela todas as quimioterapias, fazia o possível e o impossível para fazê-la sorrir.
Um sorriso.. Algo cada vez mais raro no seu rosto fraco, pálido e debilitado.
Era Novembro, ainda me lembro. Isabel estava fraca, respirava com dificuldades.. eu me sentei bem pertinho dela, segurei a sua mão e comecei a relembrar com ela momentos felizes nossos. Ela com o resto de força que tinha apertou minha mão, parei de falar e notei que ela queria dizer algo. “ – eu te amo!” disse ela, e sorriu. Um sorriso irradiante, fascinante que me estremeceu, de repente sua mão soltou a minha, seus olhos se fecharam, seu coração parou de bater. Uma lágrima escorreu em meu rosto, uma parte de mim havia morrido ali também. Segurei firme a sua mão, beijei a sua testa e disse: “ – vá em paz minha pequena Isabel” – saí do quarto desconsolado.
Teria que viver a minha vida sem ela.. mas aquele último sorriso dela sobreviveu aos anos e toda vez que eu fechava meus olhos eu conseguia enxergar aquele lindo sorriso da minha linda Isabel.



"Não preciso me drogar para ser um gênio.
Não preciso ser um gênio para ser humano,
mas preciso do seu sorriso para ser feliz"
(Charles Chaplin)

Pauta para: Ed. conto/história e musical do Bloínquês e para a 30ª edição do Blogueando 

UPDATE:   
Texto vencedor - Blogueando 30ª edição


4 surtaram comigo:

Tassyane disse...

Adorei o texto e, passei para avisar que tem dois selinhos no meu blog para o teu blog. Beijos!

Camila. disse...

Seus textos são lindos jéssica e boa sorte no bloínquês. :]

www.menina-normal.blogspot.com

Silvya disse...

lindo, lindo *-*

juu . disse...

que lindo!

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